Desde que começamos as viagens com a Adiaŭ, tenho observado que o que parece “óbvio” no Brasil nem sempre é da mesma forma em outros países. As formas de acolher, os rituais, as expectativas das famílias enlutadas, os processos administrativos e até as inovações tecnológicas variam muito de cultura para cultura.
Essas experiências têm me mostrado que ouvir parceiros, clientes e por que não, observar também concorrentes pelo mundo não é apenas uma fonte de inspiração, mas algo que pode provocar transformações profundas no nosso modo de atuar.
Neste artigo, compartilho algumas percepções que venho acumulando ao longo dessa jornada e algumas tendências internacionais que me chamaram atenção.
Panorama global e eventos internacionais
O IX Simpósio Internacional da ALPAR, realizado em Buenos Aires, em setembro, trouxe o tema “Inteligentiza tu empresa”. O foco principal foi o uso da Inteligência Artificial na gestão funerária, visando eficiência operacional, inovação de processos e uso inteligente de dados para a tomada de decisões.
Em outros encontros dos quais também participamos, como o NJSFDA Funeral Directors Convention & Expo, em New Jersey (EUA), foi possível perceber uma aceleração nas discussões sobre sustentabilidade, novas práticas de disposição e digitalização de serviços. São temas que vêm ganhando cada vez mais espaço no cenário internacional.
Além disso, relatórios recentes sobre o mercado global apontam que os serviços ecológicos, a personalização de memoriais, o planejamento prévio e o uso de plataformas digitais estão entre os principais vetores de crescimento do setor funerário em todo o mundo.
Tendências e inovações que merecem atenção
Essas são algumas tendências que tenho observado como promissoras, algumas já visíveis no Brasil, outras ainda em estágio inicial:
- Funerais verdes e alternativas ecológicas
- Crescimento da cremação
- Tecnologia virtual, como velório online e ferramentas de legado digital
- Eficiência operacional e uso de dados / IA
- Apoio psicológico, rituais culturais e acolhimento humano
Essas tendências também trazem desafios. No Brasil, ainda enfrentamos barreiras culturais e religiosas que mantêm a preferência por métodos tradicionais. A regulamentação é outro ponto sensível para aplicar soluções inovadoras ou relacionadas a alternativas ecológicas.
Por fim, há o fator da aceitação social: é preciso conscientizar e educar o público sobre novas opções, para que as famílias possam escolher com clareza e confiança.
Para que parte dessas inovações se torne realidade, acredito que algumas ações possam ser refletidas de forma ampla, parcerias e projetos com base em inovação aberta, mais pesquisas no setor, comunicação transparente e capacitação contínua.
Ouvir diferentes culturas, observar práticas inovadoras e conviver com outras realidades têm sido, para mim, uma fonte constante de aprendizado.
No setor funerário, inovar não é apenas modernizar processos, é encontrar equilíbrio entre eficiência e humanidade, entre tecnologia e acolhimento, entre o que aprendemos lá fora e o que faz sentido nas nossas raízes.
Não pretendo aqui ditar caminhos, mas compartilhar reflexões que nasceram de experiências reais. Cada profissional, cada empresa e cada região têm suas próprias necessidades e realidades e é justamente essa diversidade que faz o nosso setor tão rico.
Espero que este artigo inspire colegas a continuarem observando, escutando e aprendendo, porque é dessa escuta que nascem as verdadeiras transformações.

