No Mês das Mulheres, a ACEMBRA e o SINCEP destacam a presença e a contribuição feminina na evolução do setor do luto.

Durante a live especial da nossa programação de março, Renata Azevedo, Diretora de Operações do Grupo Cortel, compartilhou reflexões sobre a experiência das cerimônias de despedida e o papel das equipes na construção de momentos que valorizem a memória e a trajetória de cada vida.

Sua visão reforça a importância de preparar profissionais, estruturar processos e conduzir cada despedida com sensibilidade, responsabilidade e respeito.

Confira os destaques:

Como você avalia a evolução do setor nos últimos anos?

“Eu acho que o nosso setor está cada vez mais sendo um setor onde as famílias vivem experiências e valorizam as memórias de pessoas que já partiram, e muito menos solucionadores de um problema de enterrar um corpo.

Há não muitos anos atrás, muitas empresas do nosso segmento faziam isso: as pessoas têm um problema, que é um corpo, que precisam dar um destino.

Hoje a gente nem fala mais em enterro. A gente fala em cerimônia de despedida, em celebração da vida da pessoa, em homenagem, em trazer as memórias. A gente fala em preservar o legado.

Eu acho que essa foi a nossa grande evolução. A gente deixou de ser solucionador de um problema para trazer valor, aconchego e acolhimento, e ser um guia para essas famílias.”

Quais competências são indispensáveis para atuar com excelência no setor?

“Eu acho que é esse olhar 360, essa capacidade de ter empatia com os outros.

É a gente conseguir se colocar no lugar das pessoas e entender que o que faz sentido para mim pode não fazer sentido para outra pessoa.

Cada família tem valores diferentes, histórias diferentes e formas diferentes de lidar com o luto. Então quem trabalha no setor do luto não pode julgar o que faz sentido para aquela família.

Às vezes a gente precisa dar um abraço apertado. Às vezes a família vai pedir para fazer uma oração. E às vezes a gente só precisa dar um olhar ou um aceno de cabeça.

Então acho que essa capacidade de perceber o que cada família precisa naquele momento é essencial.”

O que caracteriza uma liderança preparada para os desafios atuais?

“Uma liderança preparada é aquela que consegue olhar para as pessoas.

Não só para as famílias atendidas, mas também para a equipe.

Muitas vezes o colaborador está vivendo um momento difícil na vida pessoal, e o líder precisa ter sensibilidade para perceber isso.

Às vezes a gente precisa proteger essa pessoa, tirar ela de uma situação mais difícil, colocar em uma atividade mais administrativa por alguns dias, ou simplesmente olhar nos olhos dela e dizer: ‘Eu estou aqui se você precisar conversar’.

Liderar no nosso setor é cuidar de quem cuida.”

Quais são os principais desafios estratégicos para o futuro do setor?

“Um dos grandes desafios é continuar mostrando para a sociedade o valor do que a gente faz.

Ainda existe muito desconhecimento sobre o nosso trabalho.

O setor evoluiu muito e hoje oferece experiências de despedida muito mais humanas e personalizadas, mas muitas pessoas ainda não sabem disso.

Então a gente precisa continuar falando sobre o tema e mostrando que o nosso trabalho não é apenas lidar com a morte, mas ajudar as famílias a honrar a vida e a memória de quem partiu.”